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amazônia/Meio Ambiente
RSSManejo de pirarucu na RDS Piagaçu-Purus protege espécie
O processo de manejo na área foi uma iniciativa dos moradores da comunidade de Itapuru, onde moram 90 famílias.
Manaus - O Governo do Amazonas incentiva o manejo sustentável do pirarucu em comunidades localizadas dentro de Unidades de Conservação (UCs) estaduais, com o objetivo de gerar oportunidade de renda com esta atividade.
No final do ano passado, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), por meio do Centro Estadual de Unidades de Conservação (Ceuc), apoiou o manejo realizado pelos pescadores das comunidades de Pinheiro e Nossa Senhora do Livramento (Lago do Ayapuá) e comunidades Cauã/Cuiuanã, todas localizadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu-Purus, e comunidades da Vila do Itapuru, localizada na área de entorno. A ação contabilizou 241 espécies manejadas, aproximadamente, 11,3 toneladas de pirarucus, envolvendo 83 famílias, com uma renda de R$ 56.231,49 ao ano/famílias.
O processo de manejo na área foi uma iniciativa dos moradores da comunidade de Itapuru, onde moram 90 famílias. A partir daí a atividade se estendeu para as comunidades que estão dentro da Reserva, envolvendo e beneficiando 83 famílias, viabilizando uma renda extra no final do ano de 2010.
Com o dinheiro gerado pelo manejo, as comunidades de Itapuru e Cuiuanã adquiriram recentemente flutuantes para auxiliar na vigilância dos lagos.
“Os moradores das UCs são os maiores parceiros do Governo do Amazonas. É a partir do conhecimento tradicional aliado ao conhecimento científico que o manejo do pirarucu ocorre. Essa é a melhor alternativa para a sobrevivência da espécie”, ressalta a secretária de Meio Ambiente Nádia Ferreira.
Tendo em vista a abundância de pirarucu na região, as comunidades solicitaram autorização ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e ao Ceuc, que liberaram a despesca. A primeira despesca, realizada em 2010, somou 127 pirarucus manejados da região, o que possibilitou a realização da segunda despesca na RDS.
A atividade proporcionou ainda um intercâmbio entre os moradores das comunidades citadas acima, com moradores de Unidades de Conservação Federal localizadas na Calha do Purus (Resex Médio Purus, Resex Ituxí).
A ação contou com o apoio financeiro do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), por meio do Programa de Desenvolvimento Local Sustentável (PDLS), e a parceria do Instituto Piagaçu-Ipi (IPI).
Além dos técnicos da SDS/Ceuc, participaram ainda representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e Prefeitura de Canutama, além de moradores da Reserva de Extrativismo (Resex) Canutama, Floresta Estadual de Canutama e representantes da Terra Indígena Palmarí.
De acordo com o chefe da UC Floresta Estadual de Canutama, Altemar Lopes, esse intercâmbio possibilitou o conhecimento das técnicas necessárias para essa prática, “gerou uma gestão participativa e se revelou como uma oportunidade de resolução de conflitos aos que apresentam interesse em manejo de pirarucu”.
Contagem do pirarucu
Durante a contagem do pirarucu em uma canoa, ou à margem do lago, o pescador observa por 20 minutos uma área delimitada em até 50 metros de raio, seu campo de visão, assinala em uma ficha quantas vezes o peixe subiu para respirar nesse intervalo. Um adulto (mais de 1,50 m) respira uma única vez em 20 minutos, ao contrário de um pirarucu jovem, que vem à superfície duas vezes.
Essa diferenciação permite aos comunitários saber quantos peixes existem no lago e, consequentemente, quantos eles podem pescar.
Modelo de desenvolvimento
O manejo de pirarucu RDS Piagaçu-Purus em 2010 serviu de exemplo para outras comunidades, uma vez que, em 2011, o número de setores que realizaram a despesca de pirarucu aumentou dentro da reserva. “Os comunitários demonstraram mais interesse em preservar os lagos e as riquezas existentes na Unidade de Conservação”, diz Ana Claudia Leitão, chefe da RDS Piagaçu-Purus, ressaltando que a atividade vem ajudando os moradores na geração de renda e também numa maior conscientização ambiental, promovendo assim, a conservação da biodiversidade e a melhoria na qualidade de vida das comunidades que estão dentro dessa RDS.
RDS Piagaçu-Purus
A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus foi criada pelo Decreto 23.723, de 5 de setembro de 2003, incorporado a APA, Lago do Ayapuá do Médio Purus.
A Unidade de Conservação ocupa uma área de 809.268,02 hectares. A pesca, a agricultura, a caça e a extração de produtos madeireiros e não madeireiros são as principais formas de sobrevivência das populações da região.
O comércio é praticado por via fluvial e 60% do pescado consumido em Manaus vem do Rio Purus. Dos produtos florestais a castanha é um dos que se destaca. A área tem grande potencial para o ecoturismo por suas belezas naturais, como os grandes dormitórios de aves aquáticas em vários lagos de várzea.
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